domingo, 13 de maio de 2012

lixuria1.avi


terça-feira, 24 de abril de 2012

Desabafo contra a mediocridade


Desabafo do ator WAGNER MOURA de 2008 sobre um quadro do programa Pânico na TV, onde ele foi vítima de uma das brincadeiras sem noção e desrespeitosas típicas. Vale a pena ler... 
"Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo "que coisa horrível" (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a "cagada" que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?

sábado, 21 de abril de 2012

O consumidor é o pato



Alexandre Barros
, O Estado de S.Paulo
Produtores querem sempre ganhar mais nas costas dos consumidores. Até aí, tudo bem. Estamos falando de capitalismo e mercado. Cada um busca seu ganho maior.
Há, entretanto, uma esquina da História na qual se encontram com frequência Adam Smith, Karl Marx e Milton Friedman. Lá eles esquecem suas discordâncias e falam alegremente de um tema a respeito do qual os três concordam enfaticamente: quando homens de negócios se reúnem, mesmo que socialmente, logo eles começam a arquitetar formas de ganhar mais nas costas dos consumidores.
Isso se complica quando participam dessa conspiração os sindicatos, porque, sempre que setores mais organizados se juntam, terão, em princípio, maior capacidade de se articular para extrair mais dos menos organizados, que, dados o seu número e a sua dispersão, são os consumidores.
Estratégias mais articuladas de setores organizados tendem a derrotar setores menos organizados.
O alarmante é quando todos fazem isso com a conivência do governo, que é o que vai acontecer agora com os Conselhos de Competitividade. Esses conselhos são a nova fantasia das Câmaras Setoriais.
No tempo das Câmaras Setoriais eu era consultor de um grupo de empresários norte-americanos. Encontrava-me com eles uma vez por mês para discutir políticas governamentais e como defender-se delas. Quando surgiram as Câmaras Setoriais, um desses presidentes, recém-chegado dos Estados Unidos - que, como costumava acontecer com presidentes de muitas empresas, não entendia nada de Brasil -, guiava-se apenas pelas aparência e só havia lido sobre o nosso país um livro chamado Brasil para Principiantes, que se concentrava nas mazelas de Pindorama.
E todos os meses esse mesmo presidente reclamava de tudo no País, sobretudo das Câmaras Setoriais. Depois de meses de reclamações, um de seus colegas disse: "Ô Brian, para de reclamar e vê se aprende um pouco mais sobre o Brasil. As Câmaras Setoriais são uma das maiores bênçãos que já tivemos. Nunca ganhamos tanto dinheiro! Você já pensou em se reunir com os seus competidores e com os sindicatos e estabelecer os preços mais lucrativos para sua empresa cobrar e os melhores salários para os sindicatos?"
O Brian, perplexo, reagiu: "Mas eu não poderia fazer isso. Eu iria para a cadeia. Isso é crime de price fixing!".
"Então, Brian", ponderou o colega, "abandone um pouco os seus preconceitos e pense que isso, no Brasil, não é crime. Aqui você pode conspirar contra os consumidores com a anuência, a concordância e, mais, com a participação do governo. Caia na real, Brian". Desse dia em diante ele nunca mais reclamou do Brasil.
Leia a íntegra em O consumidor é o pato

Alexandre Barroscientista político (Ph.D pela University Of Chicago); é analista de Risco Político. Emailalex@eaw.com.br

quinta-feira, 19 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

domingo, 8 de abril de 2012